12 de fevereiro – 6º Domingo Comum – (Mc 1,40-45)

 A CURA DO LEPROSO

A palavra de Jesus possui uma eficácia soberana – a sua misericórdia reintegra o leproso na comunhão do povo de Deus e permite a ele de participar novamente do culto. As suas curas dão testemunho de sua identidade, o que ele espera é uma fé profunda e não um entusiasmo superficial e passageiro.


Naquele tempo, 40um leproso chegou perto de Jesus e, de joelhos, pediu: “Se queres, tens o poder de curar-me”. 41Jesus, cheio de compaixão, estendeu a mão, tocou nele e disse: “Eu quero: fica curado!”.42No mesmo instante a lepra desapareceu e ele ficou curado. 43Então Jesus o mandou logo embora, 44falando com firmeza: “Não contes nada disso a ninguém! Vai, mostra-te ao sacerdote e oferece, pela tua purificação, o que Moisés ordenou, como prova para eles!”45Ele foi e começou a contar e a divulgar muito o fato. Por isso Jesus não podia mais entrar publicamente numa cidade; ficava fora, em lugares desertos. E de toda parte vinham procurá-lo. 

“Eu quero: fica curado!”

                Em toda casa, de vez em quando se faz uma limpeza geral: se põem as coisas para fora, se espana tudo, lava-se o piso,etc. A casa limpa é bela, mas não é agradável limpá-la. Nem mesmo as pessoas sempre se “limpam” com alegria.Precisa habituar-se desde criança. Mas esta sujeira de que falamos é superficial, para eliminá-la basta um pouco de bom sabão!
                Os povos antigos consideram como impureza as enfermidades visíveis, sobretudo a lepra. Cristo cura muitas doenças, purifica as pessoas das suas manchas. É símbolo de uma mensagem mais profunda: da purificação moral. Também o mal se compreende metaforicamente como uma forma de poluição. O fato de que Jesus cure os leprosos, considerados incuráveis, é prova de otimismo no campo moral. Se podem perdoar todos os pecados. A lepra hoje é considerada curável; mas somente parcialmente, se o doente começa logo o tratamento, quando o corpo ainda não foi gravemente tomado por este mal. Mas Jesus cura também nestes casos. Isto significa que o pecador pode corrigir-se mesmo quando já está em estado crítico.
                Cristo transmite à Igreja este poder de purificação dos pecados e ela realiza-o ao longo da história. Precisamos render-nos conta de como isto acontece. As heresias medievais partiam do princípio que, para purificar os outros, a própria Igreja deveria ser pura, esposa imaculada de Cristo. Os sacerdotes pecadores não podem purificar ninguém, pois eles mesmos tem necessidade de serem purificados. Esta exigência parece nobre, mas é irrealizável. Quem pode dizer que não tem pecado? Somente um fariseu. Todos os outros rezam: “Ó Deus, tem piedade de mim pecador!” (Lc 18,3). Que esta seja uma heresia se pode ilustrar com um exemplo. Imaginemos um hospital em que sejam admitidos somente os sadios. Cada um deveria estar curado antes de ali entrar. De um hospital assim não temos necessidade. Por isto não nos serviria uma Igreja deste tipo. Conseqüentemente sempre foi sustentado que os pecadores tem o direito de cidadania na Igreja, porque somente dessa forma podem purificar-se.
                Durante um congresso internacional em Roma, os participantes fizeram uma excursão a Frascati e também visitaram a vila Adobrandini. As sua origens não são “puras”. O dinheiro utilizado para a sua construção foram roubados da Igreja por um representante dela. Tudo isto era explicado pela guia turística, que tinha um gosto particular pelos escândalos. Alguns católicos do grupo convidaram-na a não desenterrar velhos escândalos. Mas um não católico comentou sabiamente: “A Igreja é um organismo sadio. Consegue digerir coisas assim e não morre, nem se enfraquece com isto”.
                Os pecados da Igreja não se perdoam com alguma fórmula mágica, nem mesmo com a capacidade humana, mas com a força de Cristo que vive em nós. Quem, portanto, pode purificar-me dos pecados? Em primeiro lugar eu mesmo. Livremente pequei, dei o meu livre consentimento ao mal. Com a ajuda de Deus, posso retratar o meu consentimento e reparar o dano que causei. O catecismo nos ensina que a nossa vontade foi enfraquecida pelo pecado e é propensa a ele. Isto é verdade. Se eu fosse deixado a mim mesmo, dificilmente poderia levantar da minha queda. Ma permaneço na Igreja, que me dá a força de ser curado. A Igreja comunica assim uma força interior. Temos uma contínua ajuda por parte dos outros. Temos necessidade de uma ajuda externa se queremos também ser curados das enfermidades do corpo, ou se queremos fazer uma simples “limpeza”. Mas estender a mão a quem é fraco faz bem também a quem oferece ajuda.
Na África existem ainda muitos leprosos. Em Kinshasa no Congo existia um leproso que foi trazido por três irmãs belgas. Elas tinham organizado um leprosário onde era muito importante a ajuda mútua entre os doentes, em base à experiência se trata também de algo de grande valor do ponto de vista psicológico. Quando chegou ao leprosário, o novo doente estava muito abatido, pensando que agora a sua vida tinha acabado. Mas vendo os outros que estavam na mesma situação e se ajudavam mutuamente, retomou a coragem e trabalhou segundo as suas possibilidades.
Existem vários tipos de ajuda recíproca. Em primeiro lugar há o exemplo. Já um provérbio dos antigos romanos afirmava que o caminho da instrução é longo, mas o caminho do exemplo é breve e eficaz. Nas escolas antigas a moral se ensinava propondo exemplos de homens famosos. Os cristãos retomaram este método adquirindo o hábito de ler a vida dos santos. Também hoje temos necessidade deste método educativo. As pessoas pensam de maneira concreta. Vêem o mal a sua volta e nos jornais. É portanto muito salutar poder vermos exemplos bons ao nosso redor.
                Outra ajuda é uma boa palavra. A Igreja considera o serviço da palavra com um dever seu fundamental. Desempenha-o na pregação, na publicação de livros, no ensinamento da catequese... Mas mais eficaz pode ser a palavra privada dita numa ocasião oportuna. Um jovem oficial provinha de uma família cristã, mas deixou de ir à Igreja. Uma vez queria fazer um passeio com seu amigo, mas este lhe disse que queria ir às primeiras vésperas da festa que seria celebrada no dia seguinte. O oficial lhe sorriu e disse: “estas coisas eu já superei faz tempo!” O seu amigo acrescentou: “Também esta opinião eu já superei faz tempo, e disso estou contente!”. Parece algo banal, mas teve mais efeito do que dez longas pregações. Quantas oportunidades encontramos para tais pequenos “serviços”, que ao final podem revelar-se muito grandes. Comparamos a pouco a Igreja a um hospital, onde a ajuda acontece de maneira competente e sistemática. Isto, em sentido metafórico, pode ser a ajuda sacramental: a confissão, a reconciliação entre Deus e as pessoas. É sugerido no evangelho ao leprosos curados de se apresentarem ao sacerdote, este confirmaria a sua cura. Para termos consciência da grandeza desta graça dada à Igreja, citamos uma dito de Santo Agostinho: “Se Deus me desse a opção de escolher entre criar um novo universo ou perdoar pecados, escolheria a segunda”. Na Igreja, portanto, todos colaboramos à purificação recíproca e a todos desejamos dizer: queremos ser curados.

Oração

Senhor, nosso Deus,hoje, como aquele leproso nos aproximamos do teu Filho Jesus  carregando nossas misérias e nossas culpas e com um coração contrito e arrependido humildemente exclamamos: “Senhor, se queres podes purificar-me!”


Fonte:
Messalino Quotidiano dell'Assemblea, EDB
Tomáš Špidlík, Il vangelo delle feste, Anno B, Lipa (Trad. livre)

 
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