23 de janeiro – Os pecado contra o Espírito Santo (Mc 3,22-30)



A rejeição da luz e do perdão – a má fé que rejeita o salvador, interpretando totalmente o contrário os sinais da sua missão divina, é imperdoável, porque assim fazendo o homem se fecha ao perdão que Deus lhe oferece.

Naquele tempo, 22os mestres da Lei, que tinham vindo de Jerusalém, diziam que ele estava possuído por Beelzebu, e que pelo príncipe dos demônios ele expulsava os demônios. 
23Então Jesus os chamou e falou-lhes em parábolas: “Como é que Satanás pode expulsar a Satanás? 24Se um reino se divide contra si mesmo, ele não poderá manter-se.25Se uma família se divide contra si mesma, ela não poderá manter-se. 26Assim, se Satanás se levanta contra si mesmo e se divide, não poderá sobreviver, mas será destruído. 27Ninguém pode entrar na casa de um homem forte para roubar seus bens, sem antes o amarrar. Só depois poderá saquear sua casa. 28Em verdade vos digo: tudo será perdoado aos homens, tanto os pecados, como qualquer blasfêmia que tiverem dito.29Mas quem blasfemar contra o Espírito Santo, nunca será perdoado, mas será culpado de um pecado eterno”. 30Jesus falou isso, porque diziam: “Ele está possuído por um espírito mau”.

Quem blasfemar contra o Espírito Santo, nunca será perdoado, mas será culpado de um pecado eterno

                É uma alegre mensagem aquela do Novo testamento: todos os pecados são perdoados. Mas de que maneira? Ninguém pode se perdoar  sozinho; são os outros que podem perdoá-lo, porque esquecem dos seus pecados ou porque os seus pecados não tiveram conseqüências. Mas o que se cometeu não pode ser apagado. Somente Deus pode corrigir o passado, que é Senhor do tempo e da eternidade; portanto somente Deus pode perdoar no verdadeiro sentido da palavra (Mt 9,3).
                Depois da ressurreição, Jesus dá aos apóstolos o poder de perdoar com um símbolo particular: sopra sobre eles o seu Espírito Santo. A Igreja através dos séculos, perdoa os pecados com a mesma força, a força do Espírito de Deus.
                E então, quem não crê na força do Espírito, quem nega a eficácia dos sacramentos instituídos por Cristo, quem no sacerdócio vê somente uma instituição humana,  este nega o Espírito Santo, e se priva da possibilidade de purificar-se e de libertar-se do mal.

Diziam: “Ele está possuído por um espírito mau”

A resistência dos Hebreus ao Espírito Santo era mais do que uma simples incredulidade na vocação divina de Cristo. Eles davam ao seu amor o significado oposto, o pior: a possessão do maligno.
                O juízo cruel é uma realidade que nos embatemos continuamente na vida cotidiana. O nosso modo de avaliar as obras do próximo é somente exterior; a intenção interior a ignoramos ou damos uma nossa própria interpretação, que raramente corresponde à verdade. O assim chamado juízo “objetivo” não leva em conta a pessoa, mas somente aquilo que aparece. Alguém da uma esmola a um pobre: dizemos que é um bom homem. Um outro não quer ajudar um mendicante: dizemos que é sem coração. São todos juízos superficiais. Para corrigi-los ou aprofundá-los precisaria conhecer melhor a pessoa e as suas motivações. Somente depois podemos compreender por que se comportou de certa maneira. Mas quem conhece o homem? Somente quem o ama. Quem o odeia ou  no coração tem só indiferença, julga sempre mal, não vê o bem que há nele. Quando se nutrem sentimentos negativos, também a Igreja é julgada de modo errado.
Se uma família se divide contra si mesma, ela não poderá manter-se

                Para julgar as obras do homem precisa conhecê-lo. Mas não é fácil nem mesmo se encontra boa vontade. As pessoas muitas vezes vêem o que não existe, simulam, escondem a verdade. Às vezes consegue-se fazê-lo por muito tempo, mas mais cedo ou mais tarde acabam se traindo. Uma pessoa não pode viver dividida interiormente, não pode permanecer muito tempo.
                Uma característica da virtude da constância. Os filósofos estóicos pensavam que se chegasse à virtude com o exercício assíduo do bem. O cristianismo ensina, pelo contrário, que ninguém conseguirá perseverar no bem e observar os mandamentos sem a graça de Deus. Eis porque, se vemos uma pessoa que cumpre o seu dever com consciência e constância, dizemos que vive na graça de Deus.
                A Igreja antiga venerava como santos, sobretudo, os mártires. Hoje a maior parte dos canonizados são pessoas que viveram uma vida cristã normal, com constância e de maneira exemplar. Pessoas não divididas em si mesmas, que testemunham que Deus está com eles, que a graça divina lhes protege e lhes acompanha em todos nos caminhos da sua vida.

Tomáš Špidlík
Oração

Senhor, nosso Deus, tu enviastes o teu Filho ao mundo para combater o pecado e as forças do mal. Ajudai-nos a acolher a libertação que nos é oferecida e a realizar a tua vontade, para sermos verdadeiramente irmãos e irmãs de Jesus, nosso Senhor. Amém!

 
Design by Free Wordpress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Templates